
A malícia do homem moderno nasce da sua inegável habilidade de se auto-sabotar. Os prazeres mundanos parecem doces aos olhos de uma criança burra e de dentes frágeis.
Enquanto o momentum da inteligência fraca pouco a pouco esquece a fórmula da movimentação perpétua, o ex-controlador agora coberto por dúzias de camadas grosseiras se identifica com o seu subproduto, se identifica com seu excremento...
Se identifica com o lixo que na verdade é reflexo pervertido do tesouro.
A angústia disfarçada de alegria imediata contamina todas as veias e nervos de seu corpo e o faz dançar a ridícula dança da gratificação temporária.
A respiração pesada e malcheirosa do homem burro fere a ele mesmo e o afunda cada vez mais no lodo acumulado de seus próprios sentidos.
A não vida da vida tida como padrão na atualidade se perpetua como dever eterno... Mas logo irá morrer como trivialidade banal.
Eu choro por dentro e rio por fora...
Aguardo o dia de fazer o contrário.
segunda-feira, 15 de junho de 2009
A Última Perversão
quinta-feira, 26 de março de 2009
Sobre o Medo...

Quando eu era pequeno eu acreditava que quando eu fechava os olhos, os mesmos se viravam para trás e eu conseguia ver o meu próprio cérebro.
Talvez isso explique o meu fascínio para com a minha própria mente. A angústia de não conseguir me entender. E o medo de ser alguém que eu desconheço.
De todas as misérias e desgraças que o mundo pode me oferecer, a minha mente é a única que eu realmente temo.
Tenho medo de não ter controle sobre o que faz parte de mim. Medo de não conseguir usar o que foi feito para ser um controlador, para o controle.
Medo de ser fraco o suficiente para sucumbir ao que não sou eu de verdade.
No final eu não tenho medo de nada. Se não me entendo, me desconheço e não sei como mudar isso, acho impossível machucar alguém que está a mundos de distância de você.
Mas o Eu que temo pode querer me encontrar e utilizar de todos os esforços para me neutralizar, me calar, me inutilizar.
Só espero que isso demore mais que a duração da minha vida para acontecer e se por acaso aconteça enquanto vivo, que eu esteja sozinho, longe do julgamento burro de todos.
Eu tenho vergonha de perder.
quarta-feira, 22 de outubro de 2008
Sobre Mudanças...
"Depois de milênios de luta contra acometimentos grosseiros ao corpo, o homem se vê fraco diante de sua mente doentia, vulnerável a solidão extrema e ao vazio imbatível."
Estarei me mudando para AN1 no próximo quadrante e gostaria de transparecer todos os medos que se passam pela minha existência sutil nessa condição.
Nunca pensei que poderiámos nos estabelecer tão longe e por ciclos que todos pensamos que triplan era nosso lar, o limite... o nosso fim.
Posso começar a lamentar a direção que os últimos cinco semi-ciclos deram a sociedade, mas não vejo como isso seria uma atitude inteligente... Isso seria apenas o meu medo de mudanças. O meu medo de ir para longe daqui, de experieciar a distância, de nos distanciar de um símbolo que por tanto tempo nos iluminou, que por tanto tempo foi o centro, o nosso centro. O meu centro.
Um reflexo imaturo e não digno da importância que a minha firmeza tem nesse momento. Eu devo ser um exemplo, um pioneiro... Mas não tenho como o ser e ser sincero ao mesmo tempo.
O antigo medo dos Grandes Exploradores do Início era apenas o de contemplação e hoje temos que lidar com interação. Mas como me preparar para tal interação se mal tenho informações sobre o objeto da mesma? Por vezes sinto que estou sendo enganado, que me escondem informações sobre a Migração.
Dúvida, Medo, Apego e Desonestidade... Nada me prende a esse universo mais.
Sintam-se bem.
quinta-feira, 29 de maio de 2008
Exacerbação Deliberada #001
"Amor pelo ódio, pela destruição e pela ignorância..."
Como eu posso ser alguém que pode interconviver se não sei o limite entre o certo e o errado? Entre o que deve ser feito e o que deve ser evitado a todo custo?
Eu quis fugir dos fantasmas, mas eu acabei encurralado num beco sem saída. Me tornei um monstro por natureza, o pior dos seres, mais repugnante e nojento que qualquer pessoa poderia pensar.
Eu me odeio tanto que não consigo conviver com a minha própria mente. O ar que respiro contamina meus pulmões e infecta meu cérebro com idéias terríveis sobre desamor e desarmonia.
Antes destruído do que destruindo, o ódio interno não se projeta para um grupo social, um ser, um conceito ou uma idéia. O ódio omnidirecional se projeta de dentro de mim para todos os lados. Me sufoca como a falta de felicidade imediata sufoca uma pessoa burra.
No final o burro sou eu, por isso eu tomei a decisão de me auto-destruir. Vou me dissecar, destruir meu próprio corpo parte a parte. E observar cada passo da mente disjuntada que se propor a fazer isso comigo.
Quero sentir a dor extrema até o último momento, quero ser apenas minha coluna cervical e meu cérebro.
Quero ser impotente, quero ser não existente, quero ser desgostoso, quero ser o asco.
domingo, 18 de maio de 2008
Registro de Sonhos #002
"Estou adentrando uma vila cheia de casas de madeira desconhecidas, a terra soprada pelo vento bate fortemente contra as tiras de madeira escura."
O vento faz a terra bater com tanta força nas paredes das casas da vila que as fachadas são encrostadas de terra batida.
Todas as casas estão vazias como se habitantes de séculos passados tivessem ido embora de um dia para o outro, tudo é velho, tudo é feio... tudo é sujo.
Mas uma casa está diferente. Tanto as portas como as janelas dessa casa estão abertas, olho ao longe e vou me aproximando. A casa parece estar cheia, mas eu não consigo distinguir o que ou quem está dentro dela.
Me aproximo e me dou conta que a casa está lotada de estátuas, estátuas em formas de pessoas. Mal há espaço para me locomover, algumas pessoas parecem estar rindo, outras chorando, outras assustadas. A casa não possui móveis alguns, apenas espelhos, que mal podem ser vistos através de tantas estátuas.
Quanto mais eu adentro essa casa sombria, menos a luz do sol ilumina a sala que não parece ter fim. O frio dentro do meu corpo é inéxplicavel. Continuo caminhando na direção da única porta dessa sala, que me leva à uma sala escura. Ouço o barulho de alguém se mexendo dentro dessa sala escura, e tento andar o mais rápido possível para ver o que tem lá dentro.
Quando chego encontro dezenas de estátuas apenas iluminadas pelo sol, que mal chega lá, e no fundo da sala um grande espelho reflete a porta para a primeira sala, mas tudo que consigo ver são silhuetas de estátuas. Me espanto ao ver uma garotinha que deve ter 5 anos de idade, vestida com roupas encardidas e com uma boneca velha na mão. O cabelo cobre seu rosto.
Fico aterrorizado, mas mesmo assim me aproximo perguntando seu nome e o que está fazendo aqui. Quanto mais me aproximo, mais ouço barulhos. Quando chego perto da menina ela pula em minha direção, agarra o meu pescoço e começa a gritar com a voz mais estridente que já ouvi: "Yassu!!!!"
Eu tento me desvencilhar das suas mãos pequenas, e quando olho para o espelho vejo as silhuetas se mexendo, um desespero e medo completo tomam conta do meu coração e jogo com violência a menina para um canto e tento passar pelo meio das estátuas que vão se aglomerando cada vez mais, impedindo pouco a pouco minha passagem.
Cada vez mais minha cabeça começa a girar, minha visão fica turva, eu não consigo ver nada dentro da casa, mas olho para o espelho e vejo a silhueta de milhares de estátuas se amontoando para cima de mim.
Tento resistir, tento não apagar e olho mais uma vez para o espelho. Ao fundo vejo um ser estranho e indiscritível: Um humanóide que tem metade do rosto normal e metade feito de uma mistura de rocha e bronze que adentra seus olhos negros e um pouco de sua narina.
Eu caio no chão já quase que completamente adormecido e vejo esse ser... Cara a cara comigo. Carregando a menininha no colo, que brinca com a sua boneca.
sexta-feira, 16 de maio de 2008
Nota Pessoal #001
Hoje eu tive sonhos pertubados, cheios de violência e sangue. Visões lotadas de pessoas que eu não conheço e não sei se nunca vou conhecer.
Vi sangue de pessoas amigas correndo pelo chão, sangue derramado por armas que vi em sonhos anteriores.
Mesmo depois de me dar por acordado, ainda conseguia ver a forma de uma pessoa que me olhava desejando o mal. Fiquei paralisado de medo e só arrisquei abrir os olhos depois de recitar alguns mantras e sentir essa presença ir embora.
Alguma coisa errada está no ar.
Essa má influência não começou hoje e não vai acabar amanhã...
quarta-feira, 14 de maio de 2008
Entreato Surrealista #001
"O clima do local é tão pesado que consigo respirar a traição, e ela me contamina as entranhas, sinto-a escorrer por dentro de mim como lodo na madeira podre..."
Espanha, séc XVIII. Final do Outono.
Esse ano foi o pior ano da corte. Todas as pompas e mordomias que antes eram corriqueiras e habituais agora são um luxo que raramente podemos nos dar, esse foi o ano mais seco que já presenciei em minha vida, os plebeus passam fome e a corte começa a se dar conta que as coisas podem começar a não ser as mesmas.
Eu estou delirando de febre há dois meses e já não consigo distinguir a diferença entre o salão do palácio e a aconchegante sala revestida de veludo vermelho escuro, que eu nunca sabia que existia antes. Toda vez que eu adentro essa sala desconhecida meu rosto liso é coberto de pêlos e um criado que se assemelha a meu antigo Eu me dá conselhos, insistindo para ficar em meu lugar... Eu já não sei mais em quem confiar.
A incerteza de um futuro miserável assola o coração de todos, e um presente de existência incerta assola a minha rotina. Eu não sei o quanto essa febre constante afetou meu juízo, mas eu sinto que estou vivendo num mundo a parte, num mundo só meu, mundo cujo eu posso adentrar e me ausentar a hora que quiser, mundo que eu possa me esconder da vergonha e da humilhação.
[...]
Meses se passam, e cada vez mais o dito criado ganha controle sobre minhas ações. Os pêlos que cobrem meu rosto escondem meu semblante entristecido e fraco. Feio e debilitado por esse fogo que queima dentro de mim.
Me testemunho olhando no espelho e esquecendo quem eu sou... Sou uma pessoa confusa, olhando para um espelho que não existe, numa sala que nunca poderia existir.
